09/08: Como fotografei os Yanomami

Documentário retrata as relações entre índios Yanomami e agentes de saúde

A estreia de Como fotografei os Yanomami será no Festival de Cinema Latino-Americano,
dia 28/07 no Cinesesc, em São Paulo; o longa mostra as particularidades de uma convivência que transcende língua e costumes

Uma viagem feita em 2013 pelo diretor Otavio Cury (diretor do também documental Constantino) a uma das regiões mais remotas da Terra Yanomami  – a Serra de Surucucu, em Roraima, nas montanhas que fazem divisa com a Venezuela – foi o ponto de partida para o documentário Como fotografei os Yanomami. O filme está programado para estreia em circuito nacional após o Festival de Cinema Latino-Americano, que sediará a pré-estreia do documentário no dia 28 de julho, no CineSesc, em São Paulo.

 

O desencontro cultural entre os índios e agentes de saúde chamou a atenção do diretor. Aqueles que levavam as seringas não falavam o idioma Yanomami e não conseguiam conversar com seus pacientes. “Só depois percebi que, ao tentar filmar aquele desencontro com minha câmera, eu havia me incluído no problema. Porque para os Yanomami, imagem e saúde estão intimamente ligadas. Foi a partir dessas tensões, ou desse duplo desequilíbrio, que decidi realizar o documentário”, reflete Otavio.

Para os Yanomami, estar doente é ter sua imagem agredida. Para resgata-la, os xamãs fazem seus rituais de cura. Mas para os enfermeiros que chegam às aldeias, as doenças e os remédios são outros.

A narrativa traz o ponto de vista de enfermeiros e técnicos de enfermagem que passam mais tempo na floresta do que com suas famílias: como veem os Yanomami e como se transformam com a longa vivência nas aldeias? Como lidam com os pajés e com uma concepção diferente de doença? Em sequências que oferecem contraponto à visão branca dos atendimentos, o filme dá voz a uma agente de saúde Yanomami e apresenta a visão de mundo do xamã Davi Kopenawa, a partir de passagens do livro “A queda do céu, memórias de um xamã yanomami”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert. Por meio de sua narrativa documental, Cury apresenta um relato sensível e chama ainda atenção para o futuro da floresta e dos Yanomami.

O paulistano Otavio Cury é diretor de fotografia e de documentários. Sua filmografia inclui Cosmópolis (2005), Constantino (2012) e História de Abraim (2015). Em Constantino, sua obra de maior destaque, retoma a trajetória do bisavô, o dramaturgo sírio Daud Constantino Al-Khoury (1860-1939), por meio de uma viagem à Síria. Constantino foi filmado antes do início da revolução síria. Já o curta-metragem História de Abraim (2015) retrata a vida de uma liderança da etnia Macuxi na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, também em Roraima.

Direção e roteiro Otavio Cury
Produção executiva Alice Riff e Leonardo Kehdi Jr
Direção de fotografia Julia Zakia e Otavio Cury
Técnico de som Maurício Zani
Desenho de som e mixagem Dr Morris
Direção de produção Laila Pas
Colaboração no roteiro Sofia Mariutti
Montagem Otavio Cury e João Toledo
Letreiros Renato Batata
Design Diego Prosen
Pesquisa de personagens Flavia Maia
Correção de cor Henrique Reganatti
Produtor de finalização Giba Yamashiro
Produção Outros Filmes
Co-produção Studio Riff
Distribuição Descoloniza Filmes
72 min | 2018