30/06: Apresentação da Banda PAD antecipa abertura da StarCon

Nesse sábado, a Banda Pad, cumprindo a promessa feita à NovaFrota, fez um pocket show para um seleto grupo de 70 pessoas no Green Man Studious, na Vila Mariana, em São Paulo/SP, começando uma série de eventos que culminará na StarCon, no Anhembi, em 18 de agosto

Marcos Kleine, ele mesmo um nerd e trekker, fez uma promessa: Darei de presente um pocket show antes ainda da StarCon. Assim como os vulcanos, Kleine não mentiu. Juntou a galera da Banda PAD, seu projeto paralelo ao Ultraje a Rigor, e tocaram, neste sábado, 30 de junho, para um seleto grupo de 70 pessoas, que ainda puderam degustar cerveja romulana, sangria klingon, batatas canadenses (vai saber que planeta é esse) e chopp. Tudo não sem antes assistir ao jogo pelas oitavas de final entre Portugal e Uruguai, pela FIFA World Cup 2018.

Tal apresentação faz parte de alguns eventos que antecedem o grande encontro dos fãs de ficção científica e Star Trek do ano: A Star Con, com a vinda de René Auberjonois, Richard Arnold e um seleto grupo interessante a todo nerd brasileiro. A própria PAD não faltará: também participará com uma apresentação completa.

Formada por Fabio Noogh – Vocal, Marcos Kleine – Guitarra, Leandro Pit – Guitarra, Will Oliveira – Baixo, Rodrigo Simão – Teclado e Thiago Biasoli – Bateria, a banda toca versões de temas de cinema e TV, além de um som autoral de alta qualidade. “A intenção não é reinventar a roda, mas tocar aquilo que aprendemos ao longo de nossas carreiras e gostamos”, explica Noogh ao microfone, no show.

Sobre a StarCon
Quando: 18 de agosto de 2018
Das 11h às 23h
Onde: Auditório Elis Regina, Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana – São Paulo/SP
Ingressos a partir de R$ 100,00
Como comprar: https://novafrotabr.com/
https://www.sympla.com.br/starcon—25-anos-de-star-trek-deep-space-nine__256280
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Sobre a NovaFrota
A NovaFrota é a retomada do antigo fã-clube que já foi a maior congregação de fãs de Jornada nas Estrelas e ficção científica na América Latina. Mais informações sobre o clube, que edita uma revista bimestral além de outros materiais para os fãs e se especializa na realização de eventos internacionais, podem ser encontradas em http://novafrotabr.com. Sócios da NovaFrota têm desconto de 20% na compra de um ingresso para a StarCon.

Sobre a PAD
Por Claudio Tognolli

Num país em que a música ora se compraz com a sofrência, com o funk mal rimado e com restolhos do rock deprê dos anos 90, uma nova alquimia altera a paleta de cores do cenário: o PAD, que é ninguém menos que Fabio Noogh (Vocal), Marcos Kleine (Guitarra), Leandro Pit (Guitarra), Will Oliveira (Baixo), Rodrigo Simão (Teclado) e Thiago Biasoli (Bateria).

A título de desassombro, já é bom ir dizendo: tudo no PAD é cantado em português. Os arranjos, borbulhantes, têm um quê herdado do Journey e Van Halen – referências que, para o PAD, funcionaram como antídoto ao desbunde depressivo que vagou, aqui e ali, entre estilos tão distantes e diferentes como as paixões contrariadas e os sonhos naufragados, hoje em moda.

As raízes do PAD datam em verdade e precisamente de 10 de março de 1985: quando um baterista de 15 anos de idade, encantado pela guitarra de Felipe Machado, do Viper, abandonou seu instrumento – e de pronto o trocou pelas seis cordas. Nascia ali Marcos Kleine, um autodidata em inglês, francês e nas nerdices – e que mais tarde passava ao grand monde do showbizz em 2004, quando começou a tocar com Leo Jaime, com quem dividiu os palcos por quatro anos e meio.

As mesmas raízes do PAD começam a se entranhar no solo prolífico do mais tradicional rock brazuca quando Marcos Kleine toca guitarra na Fabulosa Orquestra de Rock n Roll, em 2005, idealizada por Roger Moreira, fundador da banda Ultraje a Rigor. As afinidades eletivas compartilhadas entre Roger e Kleine tornaram os dois melhores amigos. E foi assim que, em 2009, quando Sérgio Serra abandona a banda, Marcos Kleine se torna o guitarrista do Ultraje a Rigor – uma parceria que perdura até hoje, e pode ser vista todas as noites, no SBT, no The Noite, de Danilo Gentili.

Marcos Kleine sempre trafegou com desenvoltura na mídia. Em 2004, ao vivo na Rádio Jovem Pan, o apresentador Milton Neves o chamou de “o Pelé da guitarra brasileira”. E a exemplo do guitarrista inglês Jeff Beck, o maior destilador de solos em estádios de futebol, em todo o mundo, Kleine não fez por menos: executou seu solo no último jogo (Palmeiras versus Boca) realizado no antigo estádio do Palestra Itália: e com seus solos refinados, mais uma vez, inaugurou o novo estádio do Palmeiras, a Arena Allianz, na presença do seu ídolo Ademir da Guia.

Somada toda a experiência de Kleine e de Fabio Noogh ao bom gosto desfilado por anos a fio pelo restante da banda, o PAD surge como um arco-íris no atual estado de coisas. Talvez seja um dos poucos trabalhos, no cenário em voga, em que você se esquece da tecla shuffle e se auto-deseja um sonoro “boa viagem”.

A obra abre com “Esse Quam Videri” (expressão do latim “Ser, ao invés de parecer”), de estilo sincopado, com um tapete original de guitarras sobrepostas, cheias de notas inesperadas, tecendo uma avalanche controlada enquanto você ouve “Engole o choro, encare o meu olhar. O mundo adora vir bater de frente”. “Sem Destino” vem com uma bateria fervorosamente pontual, com guitarras em pizzicato, meio abafadas, percussivas, e bem ali os vocais bradam “Quanto mais eu me escondo, mais eu me firo”. Guitarras que reformulam genialmente o clássico efeito de chorus pontuam “Sim Ou Não”, numa pegada pra lá de espacial, bordando letras sobre o dilema da desilusão amorosa.

Já em “Eu Sou O Cara”, um slide enlouquecedor da guitarra abre a balada, acompanhado por uma colha de violões. Lembra dos sequencers psicodélicos que o The Who botava numa e noutra música? Você os encontra modernamente atualizados em “Guerreiros Pacíficos”: genialmente pontuados, a ponte de se recolherem quando da entrada de guitarras comedidamente enlouquecidas. O mesmo espírito de teclados brota de “Estranho Mundo Novo”, em que pianos bem costurados com teclados Moog resgatam levemente o mais elegante do progressivo, sem no entanto deixar que as baterias se façam militarmente presentes.

Pense em algo aceleradíssimo, como se você estivesse descendo a serra numa estrada de ferro a 200 km por hora: essa é “Not so Vain”, onde as guitarras psicodélicas, de tão boas, geram um vazio no fígado. Uma elegância na conversa entre guitarras comprimidas e teclados refinados você já conhece dos The Killers: mas em “Um novo amanhã” o PAD resgata a mesma finesse de maneira ainda muito mais fungível, um diálogo dos diabos. Um leve tom de tristeza abre “Esse É O Amor”, mas não se amofine: logo as guitarras em pizzicato se abrem do diálogo com a bateria e sobrevém uma onda de felicidade, na melhor técnica de luz e sombras.

Por fim, “Tanto Tempo” resgata um pequeno quê de surf music, mas de uma pegada borbulhante, assertiva, que renova o estilo em algo que alguém chamaria de “surf music pós moderno”.

Para saber mais, acesse: http://oficialpad.com.br/banda/