A tinta e o sangue: narrativas sobre crimes e a sociedade na Belle Époque

Na perspectiva de uma história social do crime, obra investiga as imbricações entre a atividade da imprensa, especialmente da crônica criminal, e seus efeitos sobre o imaginário de uma época

Uma família é assassinada na Paris de 1869, com exceção de um dos filhos, que logo se torna o principal suspeito. Após as investigações, descobre-se que, na verdade, o assassino é um belo e insuspeito rapaz amigo da família chamado Troppmann. Se um enredo como esse, que parece saído de um filme que ainda hoje consegue capturar a atenção de milhões de pessoas, imagine acompanhar capítulo a capítulo histórias como essa pelos jornais da Belle Époque parisiense. Com objetivo de resgatar o verdadeiro fenômeno dos faits divers [do francês, fatos diversos], que mistura ficção literária e jornalismo, vem a lume A tinta e o sangue: narrativas sobre crimes e a sociedade na Belle Époque, do historiador francês Dominique Kalifa, lançamento da Editora Unesp.            

“Os faits divers podem ser definidos como relatos do cotidiano sem grande importância que povoaram jornais e revistas franceses desde meados do século XIX com crimes sangrentos, tragédias da cidade e todo tipo de prodígio”, explica Valéria Guimarães, pesquisadora da Unesp/Fapesp, na apresentação da obra. “Eram notícias narradas com recursos da ficção, algumas de teor muito sensacionalista.”            

O título do livro, aliás, inspira-se numa crônica de Émile Zola, escrita em 1882, que alude à relação entre a atividade intelectual – l’encre [a tinta] – e seus efeitos no real – le sang [o sangue]. E, nesta linha, a obra segue recolocando os faits divers num lugar de destaque a ser estudado pela História, ao longo de três grandes partes: “A fábrica do crime”, “O imaginário do crime” e “Leituras do crime”, em que Kalifa retoma as reflexões de seus antecessores sobre o estigma associado às folhetinescas notícias de crimes pelos estudos acadêmicos.            

O autor aponta para uma visão renovada da história da imprensa e desloca o marco da constituição da cultura midiática para o século XIX, visto como momento-chave para seu florescimento. “Ele ultrapassa os limites das relações entre social e cultural quando percebe que os vínculos entre o real e sua representação são complexos, e oferece ao leitor um estudo rico em questões que abolem as categorias tradicionais de alta e baixa cultura, colocando este livro entre as obras que apontaram novos e importantes caminhos para a história cultural”, pontua Valéria Guimarães.  

Sobre o autor
Dominique Kalifa é historiador francês especialista em história do crime e suas representações no século XIX e no início do século XX. É professor da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, onde dirige o Centro de História do Século XIX.

TítuloA tinta e o sangue: narrativas sobre crimes e a sociedade na Belle Époque
Autor: Dominique Kalifa
Tradução: Luiz Antônio Oliveira de Araújo
Número de páginas: 521
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 97,00
ISBN: 978-85-393-0801-9

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