Céu noturno crivado de balas de Ocean Vuong

Aos 30 anos, refugiado e homossexual, Vuong é um dos poetas jovens mais aclamados da língua inglesa. “Céu noturno crivado de balas” explora temas como guerra e paixão


A Editora Âyiné traz pela primeira vez ao Brasil em maio a obra do premiado poeta vietnamita Ocean Vuong, autor inédito no país. Com tradução de Rogério Galindo, “Céu noturno crivado de balas” apresenta uma antologia de poemas de Vuong, que com apenas 30 anos se revelou um grande talento e um dos jovens poetas mais badalados no mundo de língua inglesa. Sua poesia já foi publicada em grandes veículos, ganhou vários prêmios e fascinou leitores de todo o mundo.

Vítima de guerra, refugiado e homossexual, Vuong explora temas como identidade, paixão, sexualidade, solidão e as várias formas de violência enfrentadas pela sua família durante a Guerra do Vietnã. O livro foi fortemente aclamado pela crítica e está sendo considerado uma obra-prima por captar as tristezas e alegrias da existência humana de uma forma, ao mesmo tempo, potente e original.

“Céu noturno crivado de balas” é o terceiro livro do jovem poeta e está na lista de best-sellers da literatura homossexual. Michiko Kakutani, conhecida por suas duras críticas literárias no jornal “The New York Times”, comparou Vuong à poetisa americana Emily Dickinson e ao escritor Gerard Manley Hopkins – um dos maiores poetas da literatura inglesa – pelo som e ritmo das palavras.

Num dos poemas mais marcantes da antologia, Ocean conta o episódio da queda de Saigon, em 1975, quando os vietcongues, vindos do norte, chegaram à última defesa americana. Ocean narra o colapso da cidade misturando cenas de guerra com a música “White Christmas” (Natal Branco), de Irving Berlin, um clássico natalino americano. A avó dele, que costumava contar histórias para a família analfabeta, disse que a música de fato tocou naquele dia.

Os poemas são apresentados no livro tanto na versão em português como em inglês. São versos que têm os Estados Unidos e o Vietnã como cenários, que falam da condição de refugiados e perpassam outras temáticas, incluindo violência contra homossexuais e a relação do autor com o pai e a mãe. A obra foi traduzida para albanês, árabe, búlgaro, cantonês, francês, italiano, hindi, espanhol e ucraniano.

“Você não sabe? O amor de mãe
ignora o amor próprio
como o fogo ignora
os gritos sonoros
daquilo que queima. Meu filho,
mesmo amanhã
você vai ter o hoje. Você não sabe?
Alguns homens tocam seios
como tocassem
o topo de crânios. Homens
que ultrapassam montanhas
levando seus sonhos, seus mortos
nas costas. Mas só uma mãe pode andar
com o peso
de um segundo coração que bate.
Garoto tolo.
Talvez você se perca em todo livro
mas jamais vai se esquecer de si
como deus esquece
as próprias mãos.
Quando alguém te perguntar
de onde você é,
responda sempre que o teu nome
virou carne na boca banguela
de uma mulher da guerra.
Que você não nasceu
que você rastejou, de cabeça —
rumo à fome dos cães.
Meu filho, responda
que o corpo é uma lâmina que se afia
cortando.” (Págs. 63 a 65)

SOBRE O AUTOR
Ocean Vuong é vencedor do prestigiado prêmio de poesia T.S. Eliot. Ganhou também os prêmios de literatura Forward, Whiting e Thom Gunn. Nascido em Saigon, em 1988, passou dois anos ano em um campo de refugiados quando ainda era bebê e migrou para os Estados Unidos, onde foi criado por sua mãe, avó e tia.

Vuong tornou-se a primeira pessoa alfabetizada de sua família. Estudou literatura Inglesa do século XIX no Brooklyn College. Seus poemas e ensaios foram publicados em várias revistas, incluindo Poetry, The Nation, Guernica, Boston Review, Narrativa Magazine, New Republic, The New Yorker e The New York Times. Atualmente, Vuong vive em Northampton, Massachusetts, onde é professor assistente no Programa MFA de Escritores da Universidade de Massachusetts em Amherst.

CRÍTICAS
The New Yorker
“Ler Vuong é como assistir a um movimento de peixe: ele gerencia as variadas correntes do inglês com intuição vigorosa. Seus poemas, por sua vez, são graciosos e maravilhosos. Suas linhas são longas e curtas, sua pose narrativa e lírica, sua dicção formal e despreocupada. Do lado de fora, Vuong criou uma poesia de inclusão.”

Buzzfeed – “Melhores livros de 2016”
“Céu noturno crivado de balas estabelece Vuong como um feroz novo talento a ser considerado. Este livro é uma obra-prima que capta, com elegância, as tristezas e alegrias cruas da existência humana.”

Livro: Céu noturno crivado de balas
Autor: Ocean Vuong
Tradução: Rogério Galindo
Capa: Julia Geiser
Páginas: 223
Preço: R$ 59,90

SOBRE A EDITORA ÂYINÉ
A Âyiné foi fundada em 2013, em Veneza, por dois italianos e um brasileiro. Começou com a publicação de uma revista homônima dedicada ao mundo islâmico e depois expandiu ao lançar diversos livros, dando destaque para autores da Europa Central. Com o intuito de inovar o mercado editorial no Brasil, a Âyiné prioriza escritores que estão fora do radar das grandes editoras.

A Âyiné trabalha com a ideia de coleções perenes. Atualmente, a editora tem quatro: Pre-Textos, Biblioteca Antagonista, Das Andere e Aut-aut. A primeira tem como destaque o escritor e filósofo italiano Massimo Cacciari. São cinco livros publicados trazendo ensaios e reflexões filosóficas e estéticas. Por sua vez, a Biblioteca Antagonista tem caráter filosófico, dialogando ainda com a estética e a política. Integram a coleção autores como Simone Weil, Roger Scruton, V.S Naipaul, Emil Cioran, Gertrud Stein e Marcel Proust.

A coleção Das Andere é dedicada à literatura e possui sete títulos, incluindo Alberto Manguel, Tomas Tranströmer, Paul Valéry e Joseph Brodsky. Por último, a Aut-aut reúne livros de pensadores de esquerda, como “Melancolia de Esquerda”, de Enzo Traverso, e “Psicopolítica: O neoliberalismo e as novas técnicas de poder”, do escritor sul-coreano Byung-Chul Han (Seul, 1959).

Editora Âyiné
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