Mutações: dissonâncias do progresso

Organizado por Adauto Novaes, décimo primeiro volume da série Mutações discute como o progresso da tecnologia gerou inegáveis benefícios para a humanidade, ao mesmo tempo em que degradou a vida atual

Organizada por Adauto Novaes, a obra reúne artigos de 15 pensadores para discutir como avanços da tecnologia na medicina, comunicação e outros setores facilitaram nosso cotidiano e, ao mesmo tempo, trouxeram velocidade e superficialidade para as relações do ser humano com seu entorno, com desafios para nossa organização social. O evento de lançamento acontece no CPF – Centro de Pesquisa e Formação do Sesc – e inclui bate-papo com Adauto Novaes (mediação) e os autores Eugênio Bucci e Jorge Coli, seguido de sessão de autógrafos. No dia 30 de maio, às 21h30, Adauto também participa de sessão especial de autógrafos no Salão do Livro Político, na PUC-SP, ao lado do autor Guilherme Wisnik.

Publicada anualmente pelas Edições Sesc São Paulo desde 2008, a série Mutações registra os ciclos de conferências organizados por Adauto Novaes, que buscam discutir e contextualizar as mudanças e crises sociais e éticas advindas das novas configurações do mundo. Em dissonâncias do progresso, contribuem os autores Antonio Cicero, Céline Spector, Charles Girard, David Lapoujade, Eugênio Bucci, Francis Wolff, Franklin Leopoldo e Silva, Guilherme Wisnik, Jorge Coli, Luiz Alberto Oliveira, Marcelo Jasmin, Newton Bignotto, Oswaldo Giacoia Junior, Pedro Duarte e Vladimir Safatle.

“Os ensaios reunidos neste que é o décimo primeiro livro da série Mutações discutem, a partir de diferentes perspectivas, os impasses que se evidenciam no cotejo entre os avanços logrados nos planos material e do conhecimento e, nas antípodas, a estagnação ou mesmo regressão dos valores que orientam os rumos da política, da organização social e do conjunto de costumes no presente”.

Danilo Santos de Miranda
Entre as premissas da publicação, está a constatação de que o avanço da tecnologia também degradou, de diversas formas, a vida atual com a exacerbação do individualismo, a substituição dos valores morais, a supervalorização das crenças religiosas, a economia como referencial maior da vida em comum e o saber dos especialistas em detrimento dos pensadores. Os ensaios presentes na obra analisam essa situação e apontam caminhos para reflexão.

Para tanto, os autores abordam os temas “O que se entende por fim da humanidade?” (Luiz Alberto Oliveira), “Rumo a novas escravidões?” (David Lapoujade), “O fim do progresso” (Pedro Duarte), “Civilização e desrazão: a ambivalência das luzes” (Céline Spector), “A política desconstruída: a guerra de facções e seus outros” (Newton Bignotto), “Progresso e democracia: o governo representativo segundo John Stuart Mill” (Charles Girard), “A força da revolução e os limites da democracia” (Vladimir Safatle), “Caminhos da razão e do progresso” (Antonio Cicero), “Civilização e violência: sobre alguns usos contemporâneos do conceito de civilização” (Marcelo Jasmin), “Dissonâncias e vicissitudes do humanismo nos tempos modernos” (Francis Wolff), “Progresso e barbárie civilizada” (Oswaldo Giacoia Junior), “Humanismo moderno: integração entre teoria e prática” (Franklin Leopoldo e Silva), “Não lugar, cidade genérica, planeta favela, cidade post-it” (Guilherme Wisnik), “Pós-fatos, pós-imprensa, pós-política: a democracia e a corrosão da verdade” (Eugênio Bucci) e “Entre desilusões e crenças” (Jorge Coli).

De acordo com Adauto Novaes, os artigos procuram responder se o questionamento da ideia de progresso hoje pode ser uma resposta às mutações produzidas pela tecnociência e pelos efeitos da mundialização; se o sentimento de participar do mundo, e não mais de uma cidade – mundialização das consciências –, nos levaria a uma humanidade comum, à “prospecção de uma cidadania planetária”, como pensa Edgar Morin; ou se o declínio nos leva a uma concepção apocalíptica do espírito do mundo. Uma possível saída: no campo das novas tecnologias, não deveríamos pensar em uma partilha universal do pensamento e do saber?.

“Boa parte dos estudos que compõem este livro chama a atenção para o equívoco que consiste em reduzir a noção de progresso a uma grande ilusão, desfeita pelos fatos que revelariam que a humanidade recorrentemente repete os erros que, se não a mantêm em um contínuo estado de barbárie, impedem que ela se assegure de forma definitiva dos avanços civilizatórios”.
Helton Adverse

Sobre o organizador
Adauto Novaes é jornalista e professor. Foi diretor do Centro de Estudos e Pesquisas da Fundação Nacional de Arte, Ministério da Cultura, por vinte anos. Em 2000, fundou a empresa de produção cultural Artepensamento e, desde então, organiza ciclos de conferências que resultam em livros. Pelas Edições Sesc São Paulo, publicou: Ensaios sobre o medo (em coedição com a editora Senac São Paulo); Mutações: ensaios sobre as novas configurações do mundo (em coedição com a editora Agir); Vida, vício, virtude (em coedição com a editora Senac São Paulo); A condição humana (em coedição com a editora Agir); Mutações: a experiência do pensamento; Mutações: a invenção das crenças; Mutações: elogio à preguiça (ganhador do Premio Jabuti, 2012); Mutações: o futuro não é mais o que era; Mutações: o silêncio e a prosa do mundo; Mutações: fontes passionais da violência (ganhador do Prêmio Jabuti, 2015); e Mutações: o novo espírito utópico.

Os títulos das Edições Sesc São Paulo podem ser adquiridos em todas as unidades do Sesc São Paulo, nas principais livrarias, em aplicativos como Apple Store e Google Play e também pelo portal www.sescsp.org.br/livraria