“O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”: romance envolto a mistérios

Em meio a perseguições, em que a maneira de o autor descrever o clima psicológico que se abate sobre os personagens deixará o leitor sem fôlego

Por Sérgio Simka*

Ademir Pascale, neste livro, conseguiu unir suas duas paixões: literatura e Edgar Allan Poe. Claro, Pascale se diz também apreciador de pizzas, que igualmente aparecem no texto, mas essa minúcia não será explorada aqui.

O que quero deixar claro nestas linhas se prende à verve literária do autor, ou seja, Pascale sabe como contar uma história. E o faz sobre um alicerce temático de que é grande conhecedor e expoente: estrutura uma trama na qual uma teia de referências ao criador do gênero policial vem urdida a todo momento, externa e internamente, isto é, desde os títulos dos capítulos, as menções a trechos de poemas, até o modo de os personagens se vestirem e viverem.

Essa teia referencial materializa a paixão do escritor pelo autor de O Corvo, o que vem a comprovar o fato de Pascale usar com total propriedade uma das máximas de escrita segundo a qual não basta dizer, tem de mostrar.

Em outras palavras, Pascale não diz simplesmente: “Ei, eu gosto de Edgar Allan Poe”. Ele nos mostra, nos faz perceber que Edgar Allan Poe vem entranhado em todo o seu ser e o transfere para sua narrativa. Os membros do Clube de Leitura são apaixonados por aquela figura esquisita (refiro-me a Poe), conhecedores da vida e da obra do mestre.

Como se não bastasse essa paixão, Pascale ainda a insere em uma história sombria (agora, uma paixão à maneira de Edgar Allan Poe), em que um dos membros do Clube de Leitura desaparece e outros passam, gradualmente, a ser alvos de um maníaco. O clímax não poderia ser mais surpreendente.

Em meio a perseguições, em que a maneira de o autor descrever o clima psicológico que se abate sobre os personagens deixará o leitor sem fôlego, Pascale, como excelente romancista, aproveita para apresentar algumas relações familiares e amorosas, cujo desfecho… bem, sugiro que você não perca mais tempo em ler o que se segue. Mas não terminou.

Gostaria de deixar registrados meus agradecimentos a Ademir Pascale por me convidar a escrever estas modestas linhas. Claro que estas não abarcaram ou não lograram demonstrar a força narrativa com que o autor nos brinda, o que faz com que sejamos, pouco a pouco, envoltos por uma trama que flui com espontaneidade, com leveza, proveniente da pena de um escritor competentemente maduro.

O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe não só é um tributo memorável ao mestre como também um vigoroso elogio à leitura, aos livros, à literatura. Mais uma vez Pascale presta um inestimável trabalho literário, mesmo em um mundo que concede mais valor ao efêmero, às coisas que passam.

*Sérgio Simka, doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP, é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO “O CLUBE DE LEITURA DE EDGAR ALLAN POE”
Sinopse: Situado numa sala de um antigo prédio do centro da cidade de São Paulo, o Clube de Leitura de Edgar Allan Poe, apresenta personagens intrigantes e problemáticos, iniciando pelo cofundador, um velho caolho de nome Clay, que não vê mais sentido na vida depois da morte trágica da esposa Virginia. Henrico e Marcelo, irmãos órfãos que tentam levar uma vida pacata em um sebo na garagem de casa, mas que eventos sobrenaturais assolam a vida de um deles, que é atormentado por corvos. Samanta é uma jovem gótica e solitária. Rafael, ex-vocalista da banda Nevermore, sente-se rejeitado pela rica família e vive nas ruas e noites paulistanas tentando encontrar um novo caminho. Bernardo e Kátia, casal que discute a relação entre casar ou apenas morar juntos, vivem aventuras perigosas. Mas, todos com algo em comum: a paixão que nutrem pela vida e obra do inigualável mestre do horror: Poe.

O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe
Autor: Ademir Pascale
Prefácio: Sérgio Simka
Editora: Selo Jovem
Gênero: Aventura/Horror/Detetivesco
Ano: 2019
Site: http://www.edgarallanpoe.com.br
Preço na pré-venda: R$ 21,00
Pré-venda: http://www.selojovem.com.br/pd-638e9f-o-clube-de-leitura-de-edgar-allan-poe.html

SOBRE O AUTOR ADEMIR PASCALE
Ademir Pascale é paulista, editor e criador da revista Conexão Literatura, escritor e ativista cultural. Já participou como organizador, editor, autor e coautor em mais de 40 livros, tendo contos publicados no Brasil, França, Portugal e México. Fã nº 01 de Edgar Allan Poe. Organizador da coletânea “Possessão Alienígena” (Editora Devir/2019). Adora pizza e séries televisivas. Mantêm os sites: http://www.edgarallanpoe.com.br e http://www.revistaconexaoliteratura.com.br.
Facebook: Ademir Pascale
Twitter: http://www.twitter.com/ademirpascale
Fanpage: http://www.facebook.com/poesclub

SOBRE EDGAR ALLAN POE (1809-1849)
Foi um poeta, editor, crítico literário e escritor americano, pai do gênero ficção policial, conhecido mundialmente por suas histórias ricas em mistério e horror. Considerado como o primeiro escritor americano a tentar ganhar a vida através do seu ofício. Passou por inúmeros problemas e dificuldades: o pai abandonou a família assim que ele nasceu. A mãe faleceu quando ele tinha apenas 2 anos de idade. Adotado, passou a ser hostilizado pelo pai adotivo, abandonou a família e aproximou-se de uma tia, mas acabou apaixonando-se por sua filha de 13 anos, que era sua prima. Casou-se, mas o romance durou poucos anos, pois Virginia Clemm faleceu decorrente a tuberculose. Apaixonou-se novamente e tentou vários outros romances, mas todos fracassaram. Ganhava pouco publicando seus contos e poemas em folhetins. “O Corvo”, um dos seus principais poemas, rendeu-lhe apenas alguns dólares. Passou seus últimos dias vagando sem rumo pelas ruas de Baltimore. Foi encontrado na sarjeta, delirando e usando roupas que não eram suas. Faleceu poucos dias depois com apenas 40 anos de idade, mas a causa de sua morte nunca foi definida, tornando-se um mistério. Poucas pessoas compareceram ao seu enterro.